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Avatar de Áquila Rodrigues Menezes

Grato por essa boa visão geral sobre o Irã Moderno!

Estou o conhecendo pela participação no canal do João Carvalho, e não sei se você continuará se aprofundando sobre o Irã, mas adoraria ler uma síntese de fontes seguras, como a tua, sobre tópicos mais específicos como:

- Expandir como foi essa Revolução no Irã pelos meados de 1976-1979 e se há ações/táticas usadas pelos revolucionários que poderíamos aprender para uma possível revolução brasileira em busca de real Soberania;

- Como exatamente está estruturado o governo iraniano (lembro que tu disse ser Cientista Político também, estão creio que é um prato cheio para ti) e como essa estrutura, com esses grupos de Poder Político (O Líder Supremo; o Parlamento; a Guarda Revolucionária; e talvez outras organizações menores menos faladas e que desconheço), foram "arquitetadas" em busca de evitar uma derrubada dessa Soberania Iraniana;

Avatar de João Paulo Passarelli

Excelente síntese histórica. Um dos grandes méritos do texto é situar a Revolução de 1979 não como um evento puramente religioso, como a narrativa ocidental prefere enquadrá-la, mas como o produto de contradições acumuladas: exploração colonial dos recursos naturais, modernização excludente e repressão sistemática de toda oposição organizada.

Dois pontos que na minha opinião podem ser mais explorados.

O primeiro é o destino da esquerda iraniana após a revolução. A queda do Xá foi amplamente viabilizada por uma coalizão heterogênea (comunistas do Tudeh, guerrilheiros dos Fedayin, intelectuais laicos e islâmicos progressistas). Mas Khomeini era um leitor cuidadoso de poder. Entre 1981 e 1983, num processo que se estendeu até os massacres de 1988, o regime afastou seus antigos aliados à esquerda. É um padrão que se repete em diversas revoluções do século XX.

O segundo é a continuidade estrutural do imperialismo econômico. O golpe de 1953 contra Mossadegh não foi uma anomalia — foi um método. Guatemala (1954), Congo (1960), Chile (1973): sempre que um governo do Sul Global tentou controlar seus próprios recursos, a resposta foi semelhante. O Irã pós-79 aprendeu essa lição de forma traumática, o que explica em parte a lógica do programa nuclear e da autossuficiência militar: num sistema internacional onde o direito formal não protege soberanos que desagradam às potências, a dissuasão concreta se torna o único seguro real.

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