Guerra e Protestos no Irã
Desinformação, Propaganda e de onde se originam os factoides propagados pela mídia hegemônica ocidental
A República Islâmica do Irã é uma nação rodeada de controvérsias desde a Revolução de 1979, com a derrubada popular do Xá, constituindo, então, uma nova nação que segue um modelo Teocrático baseado no islamismo. Ela teve como foco, assim que se estabeleceu, o nacionalismo desenvolvimentista, estatizando muitas das suas principais indústrias e, principalmente, suas reservas de petróleo, para que fossem vendidas pelo Estado, tendo seus lucros voltados ao reinvestimento estatal para a melhora de qualidade de vida de seus cidadãos, infraestrutura pública e desenvolvimento militar.
Desde a nacionalização das suas reservas de petróleo, e por sua posição estratégica na geopolítica, fazendo fronteira com Arábia Saudita, Iraque e estendendo-se de norte a sul, por um dos lados do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento naval pelo qual uma grande porcentagem dos petroleiros do mundo passa diariamente para a distribuição do petróleo ao globo, o Irã sofre sanções econômicas dos EUA, represálias e, muitas vezes ao longo da história, ameaças e ataques militares de países como Israel e Iraque (durante a era Saddam Hussein), tornando-se um Estado que joga contra os interesses dos Estados Unidos e Israel na região.
Em Junho de 2025, por meio de alegações infundadas sobre o desenvolvimento de um programa de armamentos nucleares, Israel, com muitos agentes do Mossad infiltrados no Irã, iniciou uma série de ataques contra generais e cientistas nucleares, seguida de diversos bombardeios a estruturas militares, mas também, como de praxe, indiscriminadamente, a alvos civis, constituindo inúmeros crimes de guerra. Nesse período, o presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, em aliança com Israel, ordenou que as Forças Aéreas executassem a Operação Midnight Hammer, que envolvia dois bombardeiros B-2 Stealth para lançar bombas de penetração no solo com o objetivo de destruir a base de enriquecimento de urânio do Irã, em Fordo, e outras bases em Natanz e Isfahan. Contudo, apesar das alegações de Trump, à época, de que a operação tinha sido um sucesso, o Corpo de Guardas da Revolução Iraniana conseguiu retirar o urânio enriquecido a 60% da base antes dos ataques e, com mísseis balísticos supersônicos e hipersônicos penetrando o Domo de Ferro de Israel com certa facilidade, depletando as defesas aéreas e atingindo inúmeros alvos militares, destruindo ativos importantes da IDF, Netanyahu foi forçado a pedir um acordo de paz após 12 dias de confronto.
Em Janeiro de 2026, uma série de protestos contra a situação econômica do país começou a eclodir, sendo altamente financiada e apoiada por agentes infiltrados da CIA e do Mossad, que chegaram a prover armamentos e munições para manifestantes de uma ala mais extrema da oposição ao regime. Porém, aqui entramos em uma contestação dos fatos e das notícias da mídia hegemônica ocidental: o Irã reportou um total de cerca de 3.100 mortos, mas a mídia ocidental, em massa, publicou um número de mortes pelo menos dez vezes maior e, recentemente, durante a reunião do Estado da União com o Congresso, Trump afirmou categoricamente que o número de mortos era de 32 mil.
A questão é: quem está certo? Quais são as fontes da mídia ocidental para tais informações, uma vez que não podem reportar diretamente do Irã e sempre utilizam ONGs que são contra o governo atual iraniano e se declaram instituições observadoras de violações dos direitos humanos sob os parâmetros da lei internacional? Quem financia essas ONGs que reportam informações alinhadas aos interesses do Ocidente?
Uma das ONGs responsáveis é a HRAI (Human Rights Activists for Iran), que, durante os protestos, reportou sobre o número de mortos e publicou um artigo repetindo a fala de Trump, alegando que 32 mil pessoas haviam morrido durante a onda de protestos.
No site da HRAI, na página de introdução, no parágrafo 2.7, sobre recursos financeiros, a ONG diz que não aceita doações de grupos políticos ou de Governos estrangeiros, a fim de manter sua autonomia. Porém, de forma contraditória, no mesmo parágrafo, declara que, desde 2011, vem recebendo doações da NED (National Endowment for Democracy), que se autodeclara uma ONG privada, sem ligações governamentais; porém, isso é categoricamente falso.
A NED foi criada durante o governo Reagan, após o The National Endowment for Democracy Act ser aprovado, em novembro de 1983, pelo Congresso americano, como forma “promover a democracia e interesses americanos” ao redor do mundo. Isso ocorreu após múltiplos escândalos envolvendo a CIA*, que estava presente em dezenas de operações na América Latina e Ásia para derrubar líderes não alinhados aos EUA, instalando ditadores que massacraram opositores, vide o Golpe de 1964 no Brasil, com a instalação da Ditadura Militar por meio da Operação Brother Sam; em 1973, o assassinato o presidente socialista democraticamente eleito Salvador Allende e a ascensão de Pinochet como líder da nação, resultando em incontáveis mortes e programas de tortura, entre muitos outros exemplos.
A NED é formada por ex-oficiais de inteligência americanos, foi fundada diretamente pelo Congresso americano e é obrigada a seguir as orientações da Secretaria do Estado do Governo dos Estados Unidos quanto à forma como maneja suas relações com outros países, como comunicação e seu financiamento.**
Foram encontrados documentos que mostram transferências diretas da NED para a HRAI, em valor superior a 900 mil dólares, indicando uma ligação direta do governo americano com a instituição.


Segundo o renomado jornalista Max Blumenthal, tal conexão foi usada para financiar 200 módulos Starlink, a fim de receber internet dos satélites de Elon Musk, que foram alinhados em órbita para sobrevoar o Irã e prover acesso à internet a dissidentes e a agentes de inteligência americanos e israelenses durante o blackout online instituído pelo governo iraniano. Além disso, segundo ele, essa infraestrutura teria sido utilizada para espalhar informações falsas sobre o número de casualidades durante a onda de protestos para toda a mídia ocidental, especialmente a ala liberal americana e europeia.
Neste artigo exemplifiquei duas organizações que dão a permissão estrutural para formar e mobilizar a opinião pública contra um país, porém é documentado que existem não apenas a HRAI, como a HRANA no caso do Irã, e em casos como o da República Popular Democrática da Coreia, com a Radio Free Asia. Em adição a isso, a NED forma apenas só um dos braços de propaganda do Estado americano, com várias outras organizações distruibuidas que cumprem papéis similares.





